saímos à rua de cravo na mão...
Para além de ser sempre actual meter letras de canções em blogues, principalmente quando a inspiração não é muita, é sempre maravilhoso contemplar líricas musicais que, de ano para ano, preservam a sua actualidade.
A maneira como certos poetas incutiram aos seus textos escritos no passado características visionárias e eloquentes que fazem com que os mesmos pudessem estar a ser escritos neste instante, para além de maravilhosa, é muitas vezes arrebatadora e inquietante...
Há 32 anos Portugal despertava de um sono de quase meio século. Depois de uns anos de acesa e acordada euforia, deixámos (todos) cair novamente a nação num estado de latência sonâmbula, numa nova condição de liberdade estremunhada.
Em 1982, no álbum "Acto Contínuo", Jorge Palma, com a genialidade que se conhece e que é própria dele, fala-nos em "Portugal, Portugal" de uma nação que não é a de Abril de 74, descreve-nos um país com deformações estruturais, com um problema histórico de crescimento.
Passados 32 anos da Revolução de Abril, e decorridos que estão 24 anos sua composição, "Portugal, Portugal" deixa-me a mim, que não vivi a ditadura, não presenciei a Revolução e tinha apenas 2 anos em 1982, e em pleno século XXI, um amargo na boca, um nó na garganta que desato hoje para dar vivas à liberdade.
Às vezes penso em certas coisas e chego à conclusão que não têm relação umas com as outras, outras vezes penso nas mesmíssimas coisas e todas me suscitam sensações fundadas em conceitos iguais.
Hoje dou vivas à Revolução, à liberdade, penso no que se atingiu, no que ficou por atingir, no que Jorge Palma escreveu (mesmo que na altura não o relacionasse com tudo isto), olho para a Madeira onde não se festeja a liberdade e para o Marco de Canavezes onde a mesma se festeja pela primeira vez em 2006 e, porque hoje é dia 25 de Abril, misturo tudo e na minha mente sinto uma união rebelde de felicidade, apreensão e náusea.
Mais actual que nunca, José Mário Branco disse que "saímos à rua de cravo na mão, sem nos darmos conta que saímos à rua de cravo na mão a horas certas"...
Tudo isto é confuso, tudo isto é disjunto, por vezes. Mas hoje pulamos, saltamos, festejamos e damos a nós mesmos o direito de nos emocionarmos com um conjunto de coisas que, à partida, até podiam não estar relacionadas...

A maneira como certos poetas incutiram aos seus textos escritos no passado características visionárias e eloquentes que fazem com que os mesmos pudessem estar a ser escritos neste instante, para além de maravilhosa, é muitas vezes arrebatadora e inquietante...
Há 32 anos Portugal despertava de um sono de quase meio século. Depois de uns anos de acesa e acordada euforia, deixámos (todos) cair novamente a nação num estado de latência sonâmbula, numa nova condição de liberdade estremunhada.
Em 1982, no álbum "Acto Contínuo", Jorge Palma, com a genialidade que se conhece e que é própria dele, fala-nos em "Portugal, Portugal" de uma nação que não é a de Abril de 74, descreve-nos um país com deformações estruturais, com um problema histórico de crescimento.
Passados 32 anos da Revolução de Abril, e decorridos que estão 24 anos sua composição, "Portugal, Portugal" deixa-me a mim, que não vivi a ditadura, não presenciei a Revolução e tinha apenas 2 anos em 1982, e em pleno século XXI, um amargo na boca, um nó na garganta que desato hoje para dar vivas à liberdade.
Às vezes penso em certas coisas e chego à conclusão que não têm relação umas com as outras, outras vezes penso nas mesmíssimas coisas e todas me suscitam sensações fundadas em conceitos iguais.
Hoje dou vivas à Revolução, à liberdade, penso no que se atingiu, no que ficou por atingir, no que Jorge Palma escreveu (mesmo que na altura não o relacionasse com tudo isto), olho para a Madeira onde não se festeja a liberdade e para o Marco de Canavezes onde a mesma se festeja pela primeira vez em 2006 e, porque hoje é dia 25 de Abril, misturo tudo e na minha mente sinto uma união rebelde de felicidade, apreensão e náusea.
Mais actual que nunca, José Mário Branco disse que "saímos à rua de cravo na mão, sem nos darmos conta que saímos à rua de cravo na mão a horas certas"...
Tudo isto é confuso, tudo isto é disjunto, por vezes. Mas hoje pulamos, saltamos, festejamos e damos a nós mesmos o direito de nos emocionarmos com um conjunto de coisas que, à partida, até podiam não estar relacionadas...
Portugal, Portugal Tiveste gente de muita coragem E acreditaste na tua mensagem Foste ganhando terreno E foste perdendo a memória Já tinhas meio mundo na mão Quiseste impor a tua religião E acabaste por perder a liberdade A caminho da glória Ai, Portugal, Portugal De que é que tu estás à espera? Tens um pé numa galera E outro no fundo do mar Ai, Portugal, Portugal Enquanto ficares à espera Ninguém te pode ajudar Tiveste muita carta para bater Quem joga deve aprender a perder Que a sorte nunca vem só Quando bate à nossa porta Esbanjaste muita vida nas apostas E agora trazes o desgosto às costas Não se pode estar direito Quando se tem a espinha torta Ai, Portugal, Portugal De que é que tu estás à espera? Tens um pé numa galera E outro no fundo do mar Ai, Portugal, Portugal Enquanto ficares à espera Ninguém te pode ajudar Fizeste cegos de quem olhos tinha Quiseste pôr toda a gente na linha Trocaste a alma e o coração Pela ponta das tuas lanças Difamaste quem verdades dizia Confundiste amor com pornografia E depois perdeste o gosto De brincar com as tuas crianças Ai, Portugal, Portugal De que é que tu estás à espera? Tens um pé numa galera E outro no fundo do mar Ai, Portugal, Portugal Enquanto ficares à espera Ninguém te pode ajudar Ai, Portugal, Portugal De que é que tu estás à espera? Tens um pé numa galera E outro no fundo do mar Ai, Portugal, Portugal Enquanto ficares à espera Ninguém te pode ajudar Jorge Palma, 1982 |



3 Comentários:
viva!
Viva!
ninguem nos pode ajudar..
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