alta fidelidade...
A fidelização de clientes é, na economia moderna, uma das principais, senão a principal, jogada de marketing. E quem o diz sou eu, que de marketing pouco percebo, mas vão concordar comigo os letrados no assunto.
As gasolineiras foram, na minha memória, as primeiras a introduzir um método eficaz de fidelizar os clientes. O meu pai já não se atrevia, em plenos 80's, a ir abastecer a algum lado que não fosse a Mobil. E isto porque eles davam pontos... PONTOS! Evidentemente nada destas modernices digitais, um cartão com um chip para onde uma qualquer máquina despeja os pontos que no fundo nos saem também da carteira. Naquela altura, a Mobil dava uns cartõezinhos pequeninos onde estava inscrito os pontos que cada um valia, e onde a côr dos cartões era diferente consoante o valor pontual dos mesmos. E era uma alegria, andar à pêra com os meus irmãos no banco de trás, de cada vez que o papá atestava o depósito, para ver quem ficava com os valiosos pontos, para juntar a um molho incomensurável de cartõezinhos envoltos por um esforçado elástico, que se trocaria daí a uns tempos por instrumentos de utilidade garantida como uma máquina a pilhas para tirar borbotos, uma lanterna daquelas com um pisca-pisca e uma luz tipo lâmpada da cozinha, uma bola das Tartarugas Ninja daquelas tipo balão que na praia com o vento vão a voar como se não houvesse amanhã, ou, vantagem suprema, uma lavagem de carro com os pontos acumulados ao longo de cerca de uma década de abastecimentos...
Mais tarde, já nos anos 90, surgiram os fast-foods. Quando se ia ao Olivaishopping, ia-se à Cª das Sandes, porque eles, alvíssaras senhores, metiam-nos o carimbinho no cartão. E ao 10º carimbinho, pimba!, espetavam-nos com uma sandes mista à borla. E se muito gostamos de ter coisas à borla, comer à borla é a satisfação suprema do indivíduo digno desse estatuto, que não percebe que a sandes que come agora à borla andou a pagá-la no último mês, a empaturrar-se em pasta de atum e alface mal lavada.
Este tipo de sistemas de fidelização do cliente eram giros, eram mesmo bons. Eu gostava, participava, fidelizava-me mesmo, e quem ia comigo fidelizava-se por arrasto!
As publicações periódicas também têem, desde meados dos anos 90, os seus sistemas de fidelização de clientes. E tenho eu desde sempre sérias reservas no que toca à sua eficácia...
Senão vejamos a espetacular Planeta Agostini. Esta editora, se assim se pode chamar, de colecções com os temas mais espatafúrdios confia na inteligência baixíssima dos seus potenciais clientes, colocando o primeiro exemplar das suas colecções a preços aparentemente ridículos de tão baixos, para colocar os restantes elementos da colecção a preços ridiculamente altos. O cliente Planeta Agostini pensa "EPÁ! ESPERA LÁ! Então eu posso levar o primeiro pneu da minha Miniatura Original Táxi do Cambodja Telecomandada por apenas €1,99?!?!? Mas eu sempre quis ter uma Miniatura Original Táxi do Cambodja Telecomandada!!! Vou começar já hoje a fazer esta colecção!!!", acabando este papalvo por gastar o orçamento de um pequeno país para, 7 meses e meio de correria pelas papelarias da cidade depois, completar a sua Miniatura Original Táxi do Cambodja Telecomandada. E isto funciona! Eu continuo a ver anúncios da Planeta Agostini, eles têem mercado, há quem faça colecções Planeta Agostini. Algures em Portugal, há gente com a colecção completa dos calhaus semi-preciosos!
E depois há os métodos de fidelização de publicações periódicas, jornais e revistas, com a oferta, mediante o aumento do preço de capa da publicação, de DVD's, livrinhos de Sudoku, jogos de computador, CD's de música, miniaturas de estádios de futebol, etc...
E relativamente a este assunto, há uma pergunta que urge fazer, na minha opinião, aos editores de jornais e revistas, que é a seguinte:
Vocês acham mesmo que alguém quer ou tem paciência para montar um faqueiro de 74 peças comprando um jornal ou uma revista todos os dias?!
É que parece que anda aí a febre de oferecer a porcaria dos faqueiros! Não consigo compreender! Quem são estas pessoas?!?
Que alguém compre o Record todas as 4as e dê mais €3 para receber uma miniatura do Sá Pinto, é estúpido (até porque um calhau da calçada surtia o mesmo efeito), mas são fanatismos... Agora comprar o Correio da Manhã e dar mais €2,99 para receber a faca de sobremesa, e não perder "na próxima 4ª feira, a colher de sopa e a faca de trinchar", não percebo.
Eu acredito piamente que não há ninguém que faça estas colecções dos faqueiros. Mostrem-me um faqueiro da Lux completo e calar-me-ei para sempre, mas eu não posso acreditar que existam pessoas com este tipo de distúrbios!
"Oh mãe, porque é que os nossos talheres são todos diferentes? Os meus amigos em casa têem faqueiros do IKEA bem giros e que sairam muito mais baratos do que andar a comprar revistas côr de rosa todas as semanas!"
"Cala-te e come a sopa com a colher da Lux, depois usas o garfo da Maria e a faca do Correio da Manhã para comer o empadão que eu te sirvo com a espátula do 24 Horas!".
Quem é que se fideliza com isto? E mais importante, se este é o estado actual da fidelização de clientes, qual é o próximo passo?
Eu pessoalmente preferia quando andava com um monte de cartõezinhos da Mobil com pontos que valiam virtualmente zero...
As gasolineiras foram, na minha memória, as primeiras a introduzir um método eficaz de fidelizar os clientes. O meu pai já não se atrevia, em plenos 80's, a ir abastecer a algum lado que não fosse a Mobil. E isto porque eles davam pontos... PONTOS! Evidentemente nada destas modernices digitais, um cartão com um chip para onde uma qualquer máquina despeja os pontos que no fundo nos saem também da carteira. Naquela altura, a Mobil dava uns cartõezinhos pequeninos onde estava inscrito os pontos que cada um valia, e onde a côr dos cartões era diferente consoante o valor pontual dos mesmos. E era uma alegria, andar à pêra com os meus irmãos no banco de trás, de cada vez que o papá atestava o depósito, para ver quem ficava com os valiosos pontos, para juntar a um molho incomensurável de cartõezinhos envoltos por um esforçado elástico, que se trocaria daí a uns tempos por instrumentos de utilidade garantida como uma máquina a pilhas para tirar borbotos, uma lanterna daquelas com um pisca-pisca e uma luz tipo lâmpada da cozinha, uma bola das Tartarugas Ninja daquelas tipo balão que na praia com o vento vão a voar como se não houvesse amanhã, ou, vantagem suprema, uma lavagem de carro com os pontos acumulados ao longo de cerca de uma década de abastecimentos...
Mais tarde, já nos anos 90, surgiram os fast-foods. Quando se ia ao Olivaishopping, ia-se à Cª das Sandes, porque eles, alvíssaras senhores, metiam-nos o carimbinho no cartão. E ao 10º carimbinho, pimba!, espetavam-nos com uma sandes mista à borla. E se muito gostamos de ter coisas à borla, comer à borla é a satisfação suprema do indivíduo digno desse estatuto, que não percebe que a sandes que come agora à borla andou a pagá-la no último mês, a empaturrar-se em pasta de atum e alface mal lavada.
Este tipo de sistemas de fidelização do cliente eram giros, eram mesmo bons. Eu gostava, participava, fidelizava-me mesmo, e quem ia comigo fidelizava-se por arrasto!
As publicações periódicas também têem, desde meados dos anos 90, os seus sistemas de fidelização de clientes. E tenho eu desde sempre sérias reservas no que toca à sua eficácia...
Senão vejamos a espetacular Planeta Agostini. Esta editora, se assim se pode chamar, de colecções com os temas mais espatafúrdios confia na inteligência baixíssima dos seus potenciais clientes, colocando o primeiro exemplar das suas colecções a preços aparentemente ridículos de tão baixos, para colocar os restantes elementos da colecção a preços ridiculamente altos. O cliente Planeta Agostini pensa "EPÁ! ESPERA LÁ! Então eu posso levar o primeiro pneu da minha Miniatura Original Táxi do Cambodja Telecomandada por apenas €1,99?!?!? Mas eu sempre quis ter uma Miniatura Original Táxi do Cambodja Telecomandada!!! Vou começar já hoje a fazer esta colecção!!!", acabando este papalvo por gastar o orçamento de um pequeno país para, 7 meses e meio de correria pelas papelarias da cidade depois, completar a sua Miniatura Original Táxi do Cambodja Telecomandada. E isto funciona! Eu continuo a ver anúncios da Planeta Agostini, eles têem mercado, há quem faça colecções Planeta Agostini. Algures em Portugal, há gente com a colecção completa dos calhaus semi-preciosos!
E depois há os métodos de fidelização de publicações periódicas, jornais e revistas, com a oferta, mediante o aumento do preço de capa da publicação, de DVD's, livrinhos de Sudoku, jogos de computador, CD's de música, miniaturas de estádios de futebol, etc...
E relativamente a este assunto, há uma pergunta que urge fazer, na minha opinião, aos editores de jornais e revistas, que é a seguinte:
Vocês acham mesmo que alguém quer ou tem paciência para montar um faqueiro de 74 peças comprando um jornal ou uma revista todos os dias?!
É que parece que anda aí a febre de oferecer a porcaria dos faqueiros! Não consigo compreender! Quem são estas pessoas?!?
Que alguém compre o Record todas as 4as e dê mais €3 para receber uma miniatura do Sá Pinto, é estúpido (até porque um calhau da calçada surtia o mesmo efeito), mas são fanatismos... Agora comprar o Correio da Manhã e dar mais €2,99 para receber a faca de sobremesa, e não perder "na próxima 4ª feira, a colher de sopa e a faca de trinchar", não percebo.
Eu acredito piamente que não há ninguém que faça estas colecções dos faqueiros. Mostrem-me um faqueiro da Lux completo e calar-me-ei para sempre, mas eu não posso acreditar que existam pessoas com este tipo de distúrbios!
"Oh mãe, porque é que os nossos talheres são todos diferentes? Os meus amigos em casa têem faqueiros do IKEA bem giros e que sairam muito mais baratos do que andar a comprar revistas côr de rosa todas as semanas!"
"Cala-te e come a sopa com a colher da Lux, depois usas o garfo da Maria e a faca do Correio da Manhã para comer o empadão que eu te sirvo com a espátula do 24 Horas!".
Quem é que se fideliza com isto? E mais importante, se este é o estado actual da fidelização de clientes, qual é o próximo passo?
Eu pessoalmente preferia quando andava com um monte de cartõezinhos da Mobil com pontos que valiam virtualmente zero...


3 Comentários:
Acredites ou não, eu tenho a colecção quase completa dos "calhaus semi-preciosos", tudo porque tinha 10 anos quando isso surgiu pela 1a vez e o meu pai tem uma amor inexplicável por mineralogia! :)
Pois bem, este teu post toca-me bem fundo... porque eu proprio foi vitima...
1993,
Um miudo chamado João Miguel (Eu) decide ir à papelaria do outro lado da rua, a infame "Rampa". E deparo-me com a seguinte coleção:
"Dinossauros, descobre os gigantes da pré historia" - Planeta DeAgostini
1º Fasciculo, 299 escudos (sim, escudos) mais uma peça do Tiranaussarus Rex (que ficaria completo se se comprasse os 48 fasciculos).
Obviamente o segundo fasciculo já passou para os 600 escudos, mas tudo bem. Ate porque no final teria direito a encadernações de capa dura, sendo para isso apenas necessário não faltar nenhum fasciculo...
E tudo estava bem... até que.... O Tiranaussarus Rex acabou, o 48º fasciculo comprado e encadernado... de repente aparecem mais 36 fasciculos.. e desta vez o Triceratops como boneco...
Depois de grandes negociações (2 meses de lavar a loiça), a minha mãe la acedeu a comprar também os 36 fasciculos da extraordinaria coleção d'agostini...
Ora o que é que é sucede passados 8 meses... compro o 36º (ou será melhor dizer, 84º), e acabo de montar as ultimas peças no Triceratops, e ai é que o Agostinho me lixou... PUMBA... mais 36 fasciculos... desta vez, Velociraptor... ò que ca$%$#$#....
Obviamente nem me atrevi a pedir à minha mãe mais estes fasciculos, e resignei-me por não ficar com a coleção completa (que la me deve ter custado uns bons 40 contos).
Depois disto, fiquei com alergia com a questão da fidelização. Por isso é que sempre que vou à Springfield e me tentam vender o cartão cliente, eu respondo sempre:
"deixe estar, eu vou morrer para o mês que vem.. se calhar não vale a pena..."
eu conheço uma pessoa com o faqueiro completo da lux...e sim, é bizarro pensar na quantidade de revistas que a senhora em causa (que, por acaso, nem sequer as lê) teve que comprar para ter talheres iguais para 6 pessoas jantarem em sua casa...
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