Quinta-feira, Março 30, 2006

ai silêncio de ouro!...

margarida rebelo pinto vs. joão pedro george

não se fala de outra coisa... ok, talvez se fale de outras coisas... mas fala-se muito disto. a literata campeã de vendas interpôs, a semana passada, uma providência cautelar (medida jurídica cujo nome tem imensa piada mas da qual desconheço por completo o funcionamento) para impedir o lançamento do livro do crítico literário joão pedro george "couves & alforrecas: os segredos de margarida rebelo pinto".

a interposição desta providência cautelar causou no meio grande polémica e alvoroço, levando a discussões intensas e inflamadas onde elevadas personalidades do mundo literário português defenderam, invariavelmente, a posição de george.

passada uma semana, a polémica cresceu além do mundo literário e passou para as ruas, para os cafés, para os bate-bocas, enfim... para os noticiários da TVI.

o resultado deste expandir da discussão é fácil de quantificar. uma breve busca nos principais jornais diários on-line permite-nos verificar que o assunto está na ordem do dia... todos eles falam, uns mais, outros menos, da providência cautelar da margarida!

estive a ler sobre isto e também formei opinião... os livros da margarida rebelo pinto, best sellers editados pela oficina do livro, editora de tamanho respeitável, são na verdade um negócio, antes de serem obras literárias. e não há mal nenhum nisso.
desfazer a obra literária (que à partida não existe nos seus livros) de margarida rebelo pinto é portanto um exercício que, imagino, não seja muito estimulante e interessante para alguém letrado e com experiência na crítica e na análise de literatura. mas o joão pedro george também tem de ganhar o seu, e como tal, para vender mais críticas, nada melhor do que criticar o que mais se vende.

o que o joão pedro george não estava à espera era de toda esta publicidade ao seu livro, a lançar daqui a uma semana.

ontem em conversa com o meu irmão sobre este assunto, dizia ele, e com razão, e a propósito da publicidade que margarida presta gratuitamente à sua nemesis literária, que "mais lhe valia estar caladinha". levei este assunto para a almofada e realmente parece-me que assim é.

é claro que há sempre a questão de princípio. a margarida rebelo pinto pode querer manter-se fiel a uma ética que temos de respeitar e que lhe diz que não pode deixar passar impune as atitudes de joão pedro george.

não me vejo a gostar dos livros da margarida rebelo pinto, e se calhar até é verdade que ela repete parágrafos, ideias e frases inteiras de livro para livro. é até provavelmente verdade que os livros são estéreis de conteúdo e valor literário. mas de qualquer maneira não me coloco tão do lado de joão pedro george como se calhar o faria numa primeira análise. oh george, deixa lá a miúda, o frango que ela comeu ontem ao jantar quem o pagou foi um parágrafo que ela já repetiu em 3 livros, ok, mas o facto é que lhe compram os 3 livros! e ela, mesmo que sejam fracos, tem direito de lançar 3 livros iguais com nomes diferentes (bem como ele tem direito a criticar). só acho que o george passa um pouco a crítica literária para a crítica pessoal, para o "mandar abaixo porque é giro", para o "bater no ceguinho".

mas é aqui que entra o "mais valia tar caladinha". após uma breve leitura das notícias, facilmente se conclui que o livro que joão pedro george quer lançar é todo ele uma transcrição de críticas que ESTÃO JÁ no seu blog na internet! a providência cautelar não evita, portanto, que se leiam esses textos, já disponíveis.

mais... o livro "couves & alforrecas", a lançar pela editora objecto cardíaco, recém fundada e com uma pequeníssima influência no mercado, tem uma edição prevista de 1500 exemplares! mil e quinhentos!!! será que neste momento o número de pessoas a par deste fenómeno não vai muito além disso?!?!? não seriam 1500 pessoas conhecedoras profundas da má qualidade dos livros de margarida rebelo pinto melhor para a autora do que um país inteiro a discutir o fenómeno, ainda que superficialmente??? e quem seriam estas 1500 pessoas? eu quase que aposto que nestas 1500 pessoas não havia, à partida, ninguém que, depois de comprar um livro de joão pedro george, fosse comprar um da margarida rebelo pinto. são mercados diferentes! e quem compra livros da margarida rebelo pinto, e perdoem-me o snobismo, não quer saber de críticas literárias do professor doutor joão pedro george, diria eu!

a margarida rebelo pinto, que elevou o título da sua obra de consagração "não há coincidências" a um novo patamar, devia aprender com as minhas sábias palavras... resumindo, o conjunto de pessoas que lê e se interessa por críticas aos seus livros está COMPLETAMENTE disjunto, separado, longe, inecruzável do conjunto de pessoas que realmente compra os seus livros! por isso deixe uns criticar sossegados, enquanto os outros continuam a lê-la avidamente!

3 Comentários:

Blogger António Ferrão terá dito...

quanto à providência, cautela e caldinhos de galinha era o que eu aconselhava. assim, m.r.p. (quem?) arrisca-se a criar mais um best-seller, não há duvida que tem geito para isso.

cito o povo que disto já viu muito e uma vez disse: "eles que são pretos que se entendam"

Qui Mar 30, 11:36:00 AM  
Anonymous o encoberto terá dito...

é uma triste personalidade que vai ganhando a vida...enfim...também escrevi sobre isso.

Qui Mar 30, 12:11:00 PM  
Anonymous Anónimo terá dito...

Confesso que não percebo tanto alarmismo com este assunto. Analisando friamente este assunto (depois de ultrapassar a aparente tentado ao direito de expressão que cada um de nós tem) vejamos as características de ambos os lados; A Margarida não sabe escrever bem e apesar de ela acreditar ser uma grande escritora a verdade é que ela escreve contos superficiais. Na realidade não há mal nenhum disso, pois há leitores que apreciam leituras básicas. A história não vai valorizar a Margarida como veículo da literatura portuguesa. Ela é apenas mais uma futilidade que vende neste país. ok. O Jorge é um mau profissional. Um crítico literário deves preocupar em analisar obras com profundidade e que valorizam a qualidade da língua e cultura portuguesa. Não é, obviamente, o caso. Conclusão: A Margarida escreve mal, mas a maquina publicitária torna-se muito lucrativa. A Oficina do Livro é uma editora mercantil, pouco preocupado em publicar escritores com valor literário. O Jorge é um mau profissional e quis também usufrir da máquina publicitária com o mesmo fim: uma obra lucrativa. Quanto a editora, acho caricato uma coincidência: O Valter Hugo Mãe, editor desta nova editora, é ex-editor da Quasi e ele mesmo apostou em várias obras "cor-de-rosa" que foram muito lucrativas para a Quasi. Como este tipo de livro já está a perder o seu lugar ao sol (felizmente) ha-de criticar e insultar estes pseudo-autores e, mais importante, os leitores que compraram estas obras sobre a influência de editoras como a dele, para AFINAL não valorizar este tipo de escrita. Esta hipocrisia enerva-me e enoja-me e a única solução que encontro é reagir a esta crítica da mesma forma que reagi a todas as obras "cor-de-rosa" - despreso. Somos mais inteligentes do que eles acreditam.

Sáb Abr 01, 04:01:00 PM  

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